Ocio produtivo

ciesta

Foi uma decisão repentina, daquelas que raramente permito a mim mesma.

Meu marido estava em São Paulo, para onde tinha ido na última sexta-feira, a trabalho, pretendendo voltar no mesmo dia, à noite. Liguei para ele e disse: “Amor, você não quer ficar aí hoje e amanhã cedo pego um voo para passarmos o final de semana juntos em São Paulo? “Claro, venha sim!” – ele respondeu.

Então corri para a internet e comprei minha passagem, antes que o medo me fizesse desistir. Estava com muita vontade de sair do Rio um pouco, mas não tinha coragem de deixar meu bebê. “Isabella, vai sim! Será bom para você” – falei para mim mesma. Conversei com a babá, ela me deu forças para ir e deixei o bebê com ela e com meu filho mais velho.

Sábado de manhã fiz a mala correndo e fui. Com o coração na mão, por deixar o bebê, mas fui!

Quando desembarquei, lá estava meu marido me esperando de braços abertos e sorriso no rosto. Eu também estava feliz, por ter tido a coragem de ir e de ve lo.

Uns de meus medo era que eu poderia ter uma crise de pânico, coisa que muitas vezes me acontece, mas lutei comigo mesma, fiz exercícios de respiração, enfrentei meus fantasmas, falei com Deus, falei com meu eu: “Isabella, nada de ruim vai acontecer, isso tudo é da sua cabeça, calma, respire, tudo está bem. E consegui!

Almoçamos e caminhamos pelas ruas de São Paulo. No fim da tarde, exaustos, mas felizes, chegamos na casa dos parentes do Antônio.

No dia seguinte, domingo, tivemos bastante tempo para o ócio produtivo. Chegamos cedo ao aeroporto, fomos à livraria, escolhemos livros e ficamos sentados lendo, até chegar o horário do voo de volta para casa.

Li e reli um pedaço do livro de Cheryl Strayed, “Pequenas delicadezas”, que me animou a retomar este blog, como contei no post anterior (5/7).

Quando chegamos em casa, lá estava o nosso bebê, todo feliz em ver o papai e a mamãe! A gente se acostumou a pensar que esses momentos são comuns , mais do que normais, e por isso não se dá valor a eles, mas não é assim. Idealizamos a felicidade em acontecimentos grandiosos, sem perceber que ela reside exatamente nesses pequenos momentos.

O ócio de domingo em São Paulo me fez enxergar tudo isso e voltar a ler e escrever, coisas que amo fazer além de ser mãe.

Então aqui estou, estou de volta a este espaço, para  fazer aos meus leitores um convite e uma proposta. Vamos olhar mais um para o outro? Vamos compartilhar essas descobertas? Vamos viajar nesses momentos que parecem triviais, mas que trazem um significado profundo para nossa vida?

PS : Falo do ócio produtivo citando a viagem pois quando estamos envolvidos em nossas rotinas e obrigações não nos permitimos ficar apenas pensando pois somos cobrados por uma sociedade onde não nos deixa ficar quietos . Na Espanha por exemplo existe a” ciesta” ( horas para pensar e principalmente dormir após almoço)  é o momento  que todos tem direito; para viver e produzir melhor.  Aqui não temos isso; então quando pudermos nos afastar do cotidiano para produzirmos algo bom , porque não fazer isso não é?

Escreva, participe.

Com muito carinho e amor, Isabella.