A minha história sempre vai estar comigo

Acabo de lançar meu livro . Deveria estar radiante de felicidade, nao é?

- É o que todos devem pensar.  Devem pensar que estou ótima, porque, afinal, deu tudo certo no lançamento. O bem da verdade é que não estou. Sinto um vazio muito profundo. Nada e ninguém poderia preencher, e sei que apenas eu posso me ajudar nesse sentido. Lembrar que as coisas dão certo para mim e que não preciso mais ter medo. Este medo, do qual falo, vem do passado não é um medo adulto e sim infantil: memória das coisas que vivi, num lar que me foi disfuncional.

Pois é.  Não estou radiante de felicidade. Parece que tive um filho que agora não está mais dentro de mim. Essa é a sensação, de que a minha história agora pertence aos outros, de que foi para o mundo. .

Sei que a maioria dos escritores passam por isso, um vazio enorme pós-lançamento.  Fico pensando, e agora? O que será? Minha história nas mãos de outras pessoas? Não está mais sob o meu controle. O que vou fazer agora? De algumas coisas já sei… Quero dar continuidade ao projeto de meu livro, talvez começar a escrever um segundo. Tenho muita vontade de montar uma Ong ou até de participar de alguma voltada para a questão da dependência química. – Inclusive, recebi um convite para participar da ONG “Pensamentos Filmados”, em São Paulo. Um trabalho incrível!

Neste momento, temo também, de ter feito um livro que foi tão dificil fazer e de que ele não traga repercussão. De que não ajude as pessoas com a minha história. Não posso ter sofrido a toa, não pode ser. Não quero apenas vender livros, quero, claro, vender,  mas meu desejo principal é de que minha história ultrapasse o livro.  O conteúdo de minha vida é tão rico que fico ansiosa: quero fazer mais e mais dela. Só não entendo este vazio que sinto agora. Por que será?

Outro sentimento que percebo em mim neste momento, é o sentimento de culpa.  Por que razão estou melhor e com saúde enquanto a minha família não está? Esta culpa é inconciente, mas ela me atormenta. Parece que, cada vez que chego mais perto de uma vida normal, a distância da minha família aumenta. A doença e a saúde não andam juntas! E isso, apesar de ser bom para mim, me deixa no fundo muito triste: pois amo minha família e queria estar sempre com eles. Para o meu bem, esta distância se faz necessária.

Esse vazio tomou conta de mim desde o dia seguinte de meu lançamento.

Acho que foi o medo novamente. Depois de ter realizado o meu projeto algo que tanto quis, serei cobrada.  Tenho muito medo das cobranças, mas sei que vou conseguir. Quando me sinto assim, me dá uma vontade louca de chorar e de sumir. Ontem passei o dia chorando e me sentindo a pior pessoa do mundo. Agora, não posso sumir, não mais…  Tenho que me manter bem para ajudar todos que precisam de mim.

Hoje, na sessão de análise, tive novamente a consciência de que, para ajudar a todos do meu blog e à minha familia, que tanto amo, preciso estar bem primeiro. Minha vida é uma luta constante para sobreviver! Isso é algo muito cansativo! Ainda estou em choque sabem?

Então, estou aqui, novamente, para dividir com vocês minha dor, meus medos e também para poder ajudar vocês com a minha experiência. Lancei o meu livro por uma grande editora, a Rocco, foi um sucesso! Está sendo todos os dias com as vendas e com convites de trabalhos. Só que para mim que nunca pude viver feliz, eu estranho este apelo da felicidade.

Lidar com a tristeza é algo que já sei, agora com a felicidade estou aprendendo. O crescimento leva tempo.

Um beijo com mt carinho, Isa

P.S. Meu livro está a venda on line e em todas livrarias do Brasil, “Agora é viver”.

 

  • http://divinnainspiracao.blogs

    Admirável sua coragem de desnudar a alma,de se entregar aos sentimentos, emoções, anseios e transcrevê-los. Uma atitude que poucos se atrevem, pois relatar nossas qualidades, virtudes, os atos heróicos, é simples, mas ter ousadia de escancarar nossa fragilidade, nossos medos, “culpas” etc… Ah! Grande Isa realmente é imensurável.

    Meus parabéns por não se curvar aos instintos primitivos e se calar ao alarde desta multidão de sentimentos e pensamentos que he fizeram chorar.

    Meus parabéns pela força, ousadia e por todo este talento maravilhoso que tens.

    Finalizo com um pensamento de Arthur Schopenhauer que considero particularmente brilhante, onde ele diz: “Quanto mais elevado espirito, mais ele sofre” !!!

    Fique com Deus pessoa incrível.

    Forte abraço.

    Rê Pinheiro

  • Kika Men

    Quando assisti a sua entrevista no programa Marcia Peltier, parecia que era eu a entrevistada. Sou irmã de um dependente químico em recuperação e hoje luto para vencer as minhas dificuldades, medos, ansiedade e limitações. Também sofri muito e sofro até hoje as consequências da codependência que só quem passa, sabe o que é. Que você consiga êxito nesta empreitada que tanto ajuda outras pessoas que não sabem que a dependência é uma doença que prejudica não apenas o doente, mas toda a sua família! Um abraço. Erika.

  • Greyce

    Estou há alguns dias pra te escrever… ia mandar inbox, mas são tantas coisas que mal sabia por onde começar, ontem cheguei a abrir o word pra esboçar algo, mas o não saber o que e como abordar acabou me deixando postergar a “mensagem”… não queria simplesmente parabenizá-la pelo livro ou algo assim, mas fiquei receosa de escrever demais… São tantas coisas e vivências comuns que esse encontro de Et`s como diria a Ana parece um encontro de almas né?

    Hoje lendo este seu post me pergunto, será que se eu tivesse escrito à ela esse vazio seria menor? Eu poderia tbm ajudar de alguma forma? Essas cobranças e culpas acredito que façam parte de um ciclo vicioso que vivemos sendo sempre o centro de apoio da família desde muito cedo. Não sei se essas cobranças e vazios vão embora algum dia e sinto essa mesma vontade que vc, de que tudo não tenha sido em vão. Quero fazer mais da minha vida, quero um sentido pra tudo isso, me formei (em pedagogia), comecei a trabalhar, mas esse ano ainda não peguei aulas… e tirando a necessidade de precisar de $ pra sobreviver, além das cobranças familiares de estar quase na casa dos 30 e não ter conquistado nada, o que eu realmente gostaria é fazer algo com tudo isso dentro de mim, destabulizar os transtornos de humor, gritar pro mundo a importância de uma família “funcional” para que ninguém mais precise passar pelo que passamos, principalmente crianças e adolescentes…

    Sei que esse comentário deve soar meio vago afinal vc não me conhece, não conhece minha história (acho que logo vou poder repartir um pouquinho com vc tbm! Principalmente se o encontro de SP com o Pensamentos Filmados rolar)… mas queria apenas estender a mão e dizer que sinto o mesmo, esse vazio, essa sensação de “paz” por fora tão incomum é estranha… O silêncio é estranho quando a gente se acostuma com os gritos né?

    Força Isabella e estamos juntas, conte comigo e saiba que estou acompanhando e amando teu blog!
    Seu trabalho é realmente relevante!
    Beijos Greyce

  • renato sergio

    Conheço bem esse sentimento de culpa por se afastar da patologia das famílias. No meu caso, parece que há um acordo tácito, “vc só será amado por nós se continuar doente e sofrendo como nós.” E assim tem sido, tenho me mantido, mesmo que por motivações inconscientes, próximo a essa doença, porque quero estar próximo a esse amor. Mas esse amor não é amor. E admitir que não há amor, aquele que eu achei que haveria é , talvez, o grande luto e a grande elaboração. Enfim, para ser saudável, há que se abandonar, em alguns casos, a esperança de “pertencer” à família.

    Parabén pelo livro e pela caminhada.

    Rick

    http://www.depressaodrepre.blogspot.com.br

  • http://www.facebook.com/marcnita Marcia Regina

    gostaria de ter e ler este livro

  • http://www.facebook.com/marcnita Marcia Regina

    vou procurar

  • http://www.facebook.com/lourdes.scherer.9 Lourdes Scherer

    Oi parabéns pelo livro .

  • Pezão

    Vi você na Ana Maria e comprei o livro. Senti alguma afinidade com as dificuldades que passou. O livro acabou de chegar e vou começar a ler agora.
    Você disse, acima, sobre como se sente cada vez mais afastada da sua família quando a sua vida passa a ser mais “normal”. Tenho este sentimento e, agora com o seu comentário, percebo que é um caminho inevitável. Não abandonei a minha família, mas também não sinto vontade alguma de estar com eles. Não vou detalhar o caso, pois ainda não tive a sua coragem.

  • soeli fatima batistello

    meu anjo,eu já li teu livro,,lindo,muito bom já levei pra outra pessoa q eu amo pra ler tmb ,o teu exemplo de vida vai ajudar muitas pessoas tenha certeza,eu tenho 54 anos chorei muito mas amei ler o teu livro,estou rezando por vc tenha Fé em DEUS o q vc não pode fazer entregue nas mãos DELE,ELE vai te ajudar sempre, eu vi vc na Ana Maria por isso comprei teu livro,,vc é linda maravilhosa,acredite esta ajudando muita gente ,bjs fica com DEUS

  • Cecília Carvalho

    Isabella, conheço essa sua dor, sei exatamente do que está falando, e como é bom saber que eu não sou a única a se sentir assim!!! Como é bom saber que é possível sobreviver! Vou comprar seu livro hoje mesmo. Parabéns pela coragem e obrigada por compartilhar sua história e, assim, ajudar-me a superar a minha!

  • Suzerley Rodrigues

    Este grande vazio só Deus pode preencher Isa…
    Esta é a Igreja da Cidade do RJ, um lugar maravilhoso, com pessoas que podem te ajudar de uma maneira muito significativa e especial…
    https://www.facebook.com/ICriodejaneiro?fref=ts
    Quero e vou te conhecer em breve pra te dar um forte abraço, Deus te abençoe, “Menina dos Olhos de Deus” :) conte com minhas orações.

  • Gislaine

    Querida Isabella, sempre pensei em ajudar os outros não estando bem. Uma sábia senhora me disse : Um bêbado não carrega outro bêbado, ainda sofro com os acontecimentos ao meu redor. Mais procuro muito conversar com Deus. O Senhor tem me sustentado e irá sustentar vc. Beijos fique com Deus

  • Livia freire de aquiar

    seja forte, isso vai passar, é só uma fase vc vai ver..

  • Stephanie Soares

    Li seu livro num fôlego só. Excelente sua narrativa! Emocionante, envolvente e … reconfortante, mesmo para quem não conviva com o problema, mas saber que sempre haverá luz no fim do túnel

  • Caroline Triques

    Meu melhor amigo este livro!

  • Rafaela Menna

    Parabéns pelo livro, pelo blog, pela coragem.
    Tenho uma história parecida… com alguns detalhes a mais, infelizmente, mas tudo que passei me tornou quem sou hoje e, tenho muito orgulho de mim mesma. Estou começando um projeto de blog, onde escrevo pequenos textos/crônicas sobre minhas experiências ( anorexia, depressão, bulimia, pânico e ansiedade ). Me identifiquei muito com você. Na minha família também temos dependentes químicos e é muito complicado, muito sofrido. Tenho 26 anos e uma filha linda de 1 ano e 9 meses.

    http://www.deloucotodomundotemmuito.blogspot.com.br/

  • Alessandra

    Me encontrei em muitas de suas falas… Não tenho dependentes na família, mas as emoções, dores, sofrimentos se encaixam para diversas realidades! Seu livro foi indicado por uma Psicanalista muito importante pra mim e bem conceituada. Tenho repassado as dicas, indicado o livro nas redes sociais e muitas pessoas estão buscando… Que sua caminhada continue sempre em frente, se cair um degrau não tem problema porque na volta sobe dois

  • Ammy

    Relaxe a mente e deixe fluir novas ideias , conviva , troque e observe .
    Essas são as fontes da inspiração …
    Mas não esqueça que inspiração requer muita transpiração …