8 ou 80 !!!

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Bom dia queridos leitores, hoje acordei com um vazio terrível!

Tenho muita vontade de me dedicar de corpo e alma a um trabalho, estudar mais,

fazendo um novo curso universitário, e cuidar mais deste blog… mas tudo isso tem sido

extremamente difícil para mim. Quase impossível, muitas vezes.

Cá estou, com bebê pequeno e um filho adulto. Um em meu colo, sendo amamentado,

outro em plena adolescência, saudável, firmando sua personalidade. Os dois precisam

de mim. E eu deles.

Há momentos em que preciso ser uma Mulher Maravilha. Em minha infância, a vida já

me exigia isso e eu não tinha escolha. Ou cuidava de minha família ou eles não

sobreviveriam. Naquela época era mais difícil, pois eu era apenas uma criança. Mas eu

estava ali para brigar, lutar e sobreviver. Não sei de onde vinha essa força, mas ela era

grande e, eu, pequena. Hoje, sou “grande” e os problemas que enfrento são menores,

são coisas tidas como normais. Só que eu me sinto fraca, sem aquela energia toda, e

com mais medo.

Acreditam nisso? Tive que ser forte durante tantos anos que, agora, precisaria me

aposentar… Mas não posso. Não quero. Não devo. Tenho dois filhos maravilhosos que

são minha razão de viver e preciso me levantar e continuar lutando, mesmo com

depressão.

Muitas pessoas que estão lendo esse texto talvez passem também por situações

semelhantes, principalmente as mulheres. O que é grave em mim é que o meu passado

bate a minha porta com melancolia, medo e tristeza.

Crianças não foram feitas para guerrear e sim para brincar. Como eu não pude ter a vida

de uma criança normal, tenho marcas fortes em minha alma, em meu comportamento,

em meus sentimentos e temores.

Minha prioridade hoje, sem dúvida, é o bebê. Mas estou sentindo falta do trabalho, dos

amigos, da vida em geral. Eu me cobro muito ser a mãe mais que perfeita e isso também

atrapalha. Não sei dar pouco amor, pouca atenção, então de repente percebo que já estou

vivendo só em função dos meus filhos e isso não está certo! Onde está a Isabella? Quem

sou eu?

Achar um equilíbrio é difícil para mim. Em tudo que faço, é oito ou oitenta. Sei que isso

não é bom, mas tem sido assim. Sempre foi assim. Estou lutando para me libertar desse

nível absurdo de autocobrança, porém não é fácil.

Muitas vezes acordo já cansada, com uma fadiga que muitas vezes se transforma em

depressão e pânico. Só que, mesmo assim, cansada, às vezes doente, não me dou trégua!

Exijo de mim fazer tudo que faria em um dia normal. E quando não consigo, sofro com

a sensação e a crença de que não posso fazer nada, não sou capaz de nada, por causa do

que vivi com meu pai, pois a vida que tinha era assim, uma codependente, escrava da

doença dele, e de fato não tinha cabeça nem estrutura para fazer nada, mal podia ir à

escola porque muitas vezes ele entrava na paranoia de que alguém estaria nos seguindo

e, por isso, nos trancava em casa.

Agora são outros tempos, eu sei. Vou conseguir arrancar com todas as minhas forças as

marcas que deixaram em mim e cicatrizar as feridas ainda abertas… quero porque quero

acreditar nisso, até que um simples vento bate nessas feridas. Uma brisa de nada, mas

que é suficiente para que toda a dor e todo o medo que passei retornem à minha cabeça

e assumam o piloto automático.

Mas não desisto. Escrevo aqui por isso. É hora e cuidar de mim e de meus filhos. Dói

muito. Como dói! A raiva muitas vezes aparece também. É duro, pois nunca fui

cuidada, sempre tive que cuidar, e ainda tenho que continuar cuidando. Então a carência

bate, a solidão também.

Às vezes me sinto sem forças. Mas, no meio disso tudo, persiste a esperança, a certeza

de que vou superar. Os sorrisos de meus filhos me levantam, me dão combustível para

continuar.

Estou construindo uma nova realidade para mim. Mesmo quando fantasmas tentam me

rondar, respiro fundo e digo a mim mesma: “Isabella, agora é outra vida! Não tem por

que ter medo, ninguém vai te machucar mais!”

E assim vou vivendo.

Então, gente, nunca deixemos de acreditar que tudo é possível. Vamos sonhar grande,

lutar, perseverar. Muitas vezes demora, mas a vitória vem para aqueles que continuam

caminhando com a firme intenção de construir uma vida melhor.

Como está no título de meu livro: Agora é viver!

Um beijo com carinho, Isa.