Anorexia

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Bom dia, meus queridos amigos e leitores.

Hoje vou abordar um assunto que talvez novidade para muita gente.

É um problema que tenho desde os 12 anos de idade, e que cheguei a contar no meu livro.

O que pouca gente sabe é que até hoje estou lutando para me livrar desse mal.

Como sempre tive questões aparentemente mais sérias para tratar na análise e desabafar

com amigos, inclusive aqui e no meu livro, eu não tive muito espaço para falar da

minha maior dificuldade, desta dor que me acompanha no dia a dia.

Realmente é muito doloroso, e talvez por isso não exponho muito. Nunca fui a fundo

nesse assunto.

Eu tenho transtorno alimentar. Também nisso o responsável foi meu pai, como já

expliquei em meu livro. Ele sempre teve bulimia e anorexia. E foi me ensinando que eu

poderia comer de tudo sem engordar. Para uma menina de 12 anos, como eu era na

época, isso se tornou um sonho, um poder mágico que eu poderia de fato praticar.

Já que sempre fui compulsiva, vibrei com a ideia de comer tudo e vomitar. Ou

simplesmente passar uns dias sem comer, fazendo compensações.

Assim fui levando minha vida, até um mês atrás, quando esse assunto apareceu

fortemente na terapia. Talvez porque eu estava muito fraca, irritada, com insônia, magra

demais e com anemia, minha terapeuta abordou profundamente essa questão.

Ela acredita que todos meus problemas aparecem por causa do transtorno alimentar. E

que o fato de ter vivido assim, sem comer direito, acarretou outras doenças, sempre com

essa causa: alimentação deficiente.

Uma pessoa que não come, ou que come em excesso e vomita, fica muito fraca e o

humor muda demais. Aí vem a depressão, falta de continuidade nos objetivos e falta de

energia para atividades em geral, até mesmo para as coisas que mais gosto de fazer.

Sofri muito com isso, porque não entendia a razão de tanta fadiga e tanto desânimo.

A vontade até existe, mas o corpo e a mente vivem cansados.  Uma verdadeira guerra

dentro de mim, um horror!

Não é depressão, e sim falta de energia. Resultado de muitos anos de má alimentação.

Hoje pago um preço alto por isso. Estou me tratando com medicações psiquiátricas,

vitaminas, fazendo terapia, me exercitando menos e tentando comer mais a cada dia,

para que eu tenha energia e volte a dormir melhor.

A falta de nutrientes causa insônia e, no dia seguinte, você não é ninguém, por não ter

dormido.

Esse transtorno já prejudica a minha vida há muito tempo! Imagine, por exemplo, uma

pessoa sempre cansada, sem energia, precisando fazer tudo o que fiz… Criando meu

filho João, sendo dona de casa, estudando, trabalhando, malhando.

Eu fazia tudo com muito sacrifício e achava que era depressão, mas não era. Hoje os

médicos asseguram que os sintomas psiquiátricos apareciam por causa do transtorno

alimentar: a anorexia.

Por esse motivo, é que eu vivia com o humor alterado, mudava de ideia o tempo todo,

desmarcava compromissos… Pois me faltava energia. E o fato de desmarcar

compromissos com frequência acabava ficando mal para mim. Passei a ser vista como a

furona, a que não termina nada que começa, e assim ia ficando a minha imagem.

Só que havia um motivo físico: a alimentação errada e a falta dela.

Hoje vejo claramente isso. Mesmo me tratando, tem dias que me saboto porque morro

de medo de engordar. Hoje percebo que, nos dias em que não me alimento direito, não

tenho força para nada e fico triste. E nos dias em que me alimento adequadamente, sou

outra pessoa.

Claro que, com a ajuda de medicamentos e com a força que minha família tem me dado,

o meu humor está melhor, tenho mais vontade de sair de casa, vontade de voltar a

trabalhar e de cuidar ainda mais de meus filhos.

Fazendo o tratamento correto e aceitando essa doença, consigo ser uma mãe melhor,

amiga melhor, esposa melhor e, o mais importante de tudo, uma Isabella melhor para

mim mesma. Voltando a sonhar, a criar, a estudar, sair e ser a mulher que sempre fui.

Guerreira.

Só que, antes, eu era muito mais nova e tinha mais energia, mesmo se um dia não

comesse. Hoje, mais velha, não dá para fazer isso. Meu corpo e minha mente sentem na

hora, e me derrubam.

O tratamento não é fácil. Você tem que mudar hábitos de uma vida toda. Aceitar a

doença. E comer sempre, mesmo se estiver com medo de engordar.

Tenho que viver um dia de cada vez. Confiar nas pessoas que me amam e que me dizem

que não estou engordando. Evito até espelhos nesse momento.

Se alguém estiver lendo este depoimento e quiser conversar trocar ideias saudáveis a

respeito desse problema, estou aqui para ajudar e também para receber ajuda.

Escrevi um livro maravilhoso, que se chama “Agora é viver”, publicado pela editora

Rocco. Agora penso em escrever sobre essa doença, que está presente em muitos de

nós, porém muitos não sabem como lidar com ela e nem percebem que estão doentes.

Acham que magreza é saúde e é beleza. Eu acho isso ainda, não nego, mas estou com a

clareza de que não posso mais viver assim.

Então estou entregue de corpo e alma a meu tratamento, a Deus e a mim mesma. Pois se

a pessoa não quer se curar e lutar, de nada adianta qualquer tratamento.

O que vocês acham da ideia de escrever um livro com esse tema? Aqui no Brasil, o

transtorno alimentar ainda é um tabu. E não pode continuar assim. A doença

psiquiátrica que mais mata chama-se anorexia!

Conto com sugestões de vocês! Graças a Deus, estou me curando e quero poder ajudar a

quem passa por isso também.

Um beijo com carinho, Isa