Mito da normalidade

Acabo de ver, no YouTube, um vídeo de um grande neurologista e psiquiatra chamado Gabor Mate, falando sobre as doenças mentais. Impressionante: ele disse tudo que eu venho tentando passar há vários anos para as pessoas que me rodeiam e para os leitores deste blog.

O Dr. Gabor mostra claramente que a sociedade tende a destruir pessoas que já são doentes. As pessoas geralmente só aceitam quem pensa e age nos moldes considerados “normais”. Quem produz bens que geram dinheiro. Se alguém tem limitações ou sofre de depressão, por exemplo, é totalmente excluído. Não vai receber carinho e nem aceitação de ninguém. Além de sofrer com sua doença, será vítima de preconceitos e de julgamentos negativos por não ser considerado uma pessoa normal, por não se comportar dentro dos padrões de normalidade que a sociedade dita.

A sociedade em que vivemos estabelece um padrão de normalidade e exige que todos se comportem dentro desse padrão. Mas na verdade não existe um conceito absoluto do que é normal. Isso depende do ambiente, dos costumes e valores socioculturais do lugar onde vivemos. Um esquizofrênico por exemplo viverá muito melhor na África ou na Índia, onde as pessoas o aceitam como ele é, e lhe dão espaço para agir sendo ele mesmo. Há lugares onde as pessoas com problemas mentais não são excluídas, e sim acolhidas. Cada um é aceito com sua chamada “loucura”. Portanto, isso é contextual, cultural. Você não é visto como uma pessoa que tem a obrigação de ser igual ao outro, e sim como um ser humano que precisa ser aceito simplesmente para viver e conviver. Infelizmente, porém, na maioria dos lugares, inclusive aqui em nosso país, quem padece dessas doenças é obrigado a se esconder e se isolar, para sofrer menos. Isto não faz sentido, porque quanto mais você ficar só, pior é.

Essa separação rígida entre normal e anormal é um mito. Não podemos aceitar passivamente essa opressão absurda. Deixem falar que você não é normal. Na realidade mesmo, ou todos são ou ninguém é…

Procure pessoas que aceitem você como você é. Quem não estiver do seu lado não merece estar. Em várias regiões da África, por exemplo, uma doença não é um fenômeno isolado, de um indivíduo. É uma construção cultural, um paradigma que envolve a todos.

Me identifiquei muito com as ideias do Dr. Gabor Mate, pois eu passo por isso há muitos anos e venho sempre tentando mostrar isso para as pessoas. Em geral, elas não têm doenças psiquiátricas mas têm outros transtornos que talvez nem saibam que existem. Mas estão sempre nos julgando e nos excluindo do mundo que consideram “normal”. É muito triste para mim ver esse tabu acontecer em pleno século 21.

Procure comunidades que acolham você. Escolha conviver com pessoas que não o exclua. E seja feliz, do jeito que você é.

Um beijo com carinho, Isa

 

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