Um dia de cada vez

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Muitas vezes acordo com uma vontade louca de ver uma pessoa amiga, bem próxima,

com quem possa ficar à vontade, trocar ideias, passear e me distrair um pouco.

Muitas vezes tenho vontade de fazer um programa diferente, inclusive com meus filhos e meus

familiares mais queridos, mas sinto-me cansada. A vontade é enorme, mas falta energia

e ânimo.

Talvez isso aconteça hoje comigo porque estou com um bebê pequeno e também por

estar me tratando mais uma vez da depressão e transtorno alimentar , doenças que tiram muito de nossa energia e

vitalidade.

Junte-se a isso o tempo que dedico a meus filhos, casa, família e saúde. Vou a médicos,

faço ginastica, corro na praia, tudo para melhorar meu estado de espírito e minha

disposição física.

Tem que ser mulher maravilha para dar conta… e eu consigo! Só que, na hora de tirar

um tempo para o lazer, na hora de me divertir um pouco, a energia já se foi. E aí bate a

tristeza novamente, por não ter conseguido ir ao encontro dos amigos, começar um novo trabalho  e por sentir

saudades da vida social.

Estou me esforçando para ter mais tempo, não me culpar tanto e não querer ser aquela

que faz tudo para a família. Preciso voltar a me divertir. Sinto falta da diversão adulta.

Cuidar de filhos é maravilhoso, é a coisa que mais amo fazer, mas não é saudável

renunciar a tudo e viver só em função disso. A Isabella mulher também tem suas

necessidades.

Algumas amigas não entendem esse problema e ficam chateadas comigo mas muitas vezes não da eu fico de fato cansada .

Bom, se fosse simplesmente uma escolha, ter ou não ter energia, é claro que eu teria.

Quem quer ficar preso em casa e não ver as pessoas que ama? Eu quero estar com meus

amigos, sempre quis, mas sempre tive essa dificuldade, mesmo antes de ter meu bebê.

Desde pequena fui adulta e carreguei nas costas muita coisa que uma criança não deve

carregar. Isso cansa, rouba a vitalidade, e o cansaço emocional é muito maior que o

físico. Mas não ligo se algumas pessoas me julgam. Sempre seremos julgados pelos

outros, querendo ou não. Importante para mim é que estou tentando e fazendo de tudo

para ter mais disposição.

Sei que muitas mulheres passam por isso. Não sou a única. Por isso estou aqui dividindo

com vocês, propondo que a gente troque ideias sobre isso.

Muitas mães passam por situações bem piores que a minha. A carência econômica, por

exemplo, que obriga uma mãe a acordar de madrugada, deixar seus filhos pequenos com

parentes ou em uma creche no subúrbio, e pegar transporte lotado para um trabalho

pesado, todos os dias, voltando tarde da noite, cansada, para fazer todo o trabalho da

casa e cuidar dos filhos, dormir poucas horas e começar tudo de novo…

Seria um absurdo me fazer de vítima porque sei que muita gente, no mundo inteiro,

sofre muito mais.

Mas, se não sofro esse tipo de carência econômica, tenho um agravante que é toda uma

infância roubada. Um sofrimento grande que me acompanha e gera angustia e medo constantemente . Uma

série de traumas que, por si só, derrubam qualquer um, consomem muita energia mental

e acabam atingindo a disposição física.

É difícil, mas não me entrego. Persisto. Com um tratamento adequado e muita força de

vontade, sei que vou conseguir voltar a minha antiga vida. Uma vida com mais pessoas

queridas ao meu redor. Uma vida com mais vida.

Beijos, Isa.